Quando comecei a cursar o Clássico e estudar Filosofia, meu avô querido, que
quase
se ordenara como padre e estudara muito desta matéria, me ensinou: "primo
vivere, deinde philosofare", isto é, "primeiro viver, depois filosofar" . Nunca
mais me esqueci disto. Portanto, pra mim, é:" primeiro ser mulher, depois
escrever ". Donde escrever passa a ser uma decorrência do meu estado de ser,
mulher. Sendo assim, o meu jeito de escrever é feminino, isto é, advém do meu
jeito de ver e viver a vida sendo uma mulher. Percebo que as mulheres têm uma
perspectiva diferente da dos homens sobre a existência. Talvez por estarem mais
próximas da natureza por seu ciclo menstrual (influenciados pela Lua e pelas
águas),
por seu corpo abrigar e trazer para a vida outro ser (novamente a influência da
Lua e das águas),
depois cuidar da cria e ter que conviver com os pés no chão do "cocô está duro,
cocô está mole", vômito, dores, febres, doenças, fragilidade, proteção e
decorrente superação.
MA - O tempo é ,simplesmente, sua Majestade O Tempo, há que respeitá-lo assim como
ao mar porque como o mar tem muito mais poder do que nós. O Tempo não é nem
amigo nem inimigo. Se nos dá coisas maravilhosas como a experiência, também nos
deixa marcas do lado de fora que, na maioria da vezes, não queremos carregar.
MA - O Tempo passa indiferente às linhas escritas e publicadas ou não e às
desenhadas
em nossa pele também. Tornar-se "imortal "através de uma obra de arte é uma
balela. Quem nos garante que a história e as gentes "imortalizaram" todos os
artistas de todas as épocas que mereciam isso? Quantos não foram ignorados,
quem dirá? Não vivemos em todas as épocas e em todos os lugares para saber...
Quantos dos que hoje são considerados "imortais" passarão à história?
O Tempo só não passa dentro do coração da gente, isto é, dentro da memória
afetiva de todos nós.
MA - Ao contrário de no teatro, onde o ator tem que se tornar outro, embora ainda
sendo ele mesmo, o escritor não precisa deixar de ser ele embora tenha que
perceber e entender de outros para que possa criá-los. O esforço de se ignorar
não existe como no teatro. Na escrita, ao contrário de no teatro, o personagem
pertence ao autor,isto é, no teatro o ator "pertence" ao personagem.
MA - Não,Deus me livre! Realizada ,pra mim, é alguém que já realizou todos os seus
sonhos e eu não paro de sonhar, graças a Deus! Quem parou de sonhar, morreu.
MA - Tenho uma poesia sobre isso. Chama-se exatamente "Masturbação" . Onde eu digo
claramente que não escrevo para agradar a ninguém, só a mim, por necessidade e
prazer. Por acaso gostaram do que escrevo e, vaidosa como sou, resolvi publicar.
Mas tenho muitas coisas escritas que não sei se os outros virão a conhecer.
Quando publiquei o meu primeiro livro, "Canto Nu dos Meus Recantos", quando ele
me chegou às mãos vindo da gráfica, fiquei muito orgulhosa dele mas não tive a
menor vontade de me afastar dos meus exemplares. Tive, mesmo, ciúme e pena de
perdê-los. Eram meus filhos e estavam lindos. Foi difícil. Tive que fazer minha
cabeça para o lançamento. Devo ser doida, quem sabe?
MA - Quem disse que me desnudo? Quem tem certeza sobre a verdade do que escrevo? E
mais, quem consegue se esconder quando escreve qualquer coisa? De novo, ao
contrário de no teatro,onde o ator se esconde sob o personagem, o escritor se
mostra no sub texto.
MA - Muitas coisas. Já me aconteceu, por exemplo , de ter vontade de assinar outro
nome, parecido com o que chamam psicografia. Mas não do jeito que dizem que
acontece senão a assinatura teria saído. O que você escreveu e não acredita que
tenha sido você a escrever de tão belo que era o texto?* Uma boa dúzia de
coisas.
De agradecer a Deus! E eu agradeço.
Marcia Agrau é o nome literário de Marcia Uébe, nascida Marcia Almeida Gomes
Ribeiro de Almeida,
carioca, autora de " Canto Nu dos Meus Recantos " - 1991,
"Sob o Signo da Lua"
1995, co-autora de
"Cinco Damas de Ouros" -1994 , participante de inúmeras
antologias, recebedora de diversas premiações
como "Menção Honrosa " na
categoria "Crônica" do Concurso Literário Stanislaw Ponte Preta de 1991,
da
Secretaria Municipal de Cultura da cidade do Rio de Janeiro na Gestão do
Secretário Carlos Eduardo
Novaes e Menção Honrosa no " Concurso Nacional de
Poesias Affonso Romano de Sant´Anna" do
Sindicato dos Escritores do Estado do
Rio de Janeiro com o livro " Sob o Signo da Lua" , terceiro lugar no
Concurso de
Poesias da Freguesia de Amora(Portugal), entre outras.
É membro do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro , da Sociedade
dos Poetas Cariocas
( SPOC ), do Círculo de Poetas Lusófonos de Paris, da
Associação "Actes de Présence" (Paris) e membro
correspondente da Academia Petropolitana de Poesias Raul de Leoni.
Coordenou e apresentou pela SPOC o projeto " Versos Noturnos ", tendo também
coordenado, apresentado
e participado de inúmeros recitais poéticos realizados
por essa sociedade e criado, coordenado e apresentado
o projeto "Espalhando
Poesia" com J.J.Germano . Também tem participado como jurada de vários concursos
de Poesia e realizou programas de Literatura na Rádio Imprensa FM a convite de
Eunice Khoury.
Marcia Agrau tem no prelo seu primeiro livro de contos adultos, "A Faca e o
Brinco" embora tenha ainda inédita
uma história policial infanto-juvenil ("O
Sherlock do Rio Comprido") premiada pela União Brasileira de Escritores
com o
prêmio Adolpho Aizen. Agora nos dá oportunidade de estar na internet para
divulgar este trabalho tão
maravilhoso que vem sendo por ela realizado ,
mostrando a aqueles mais sensíveis sua arte com as palavras, em Poesia.