Nas sociedades
modernas, é difícil fugirmos do dualismo Socialismo (Comunismo) x Capitalismo
(Consumismo). A prática mostrou que ambos os modelos se mostraram incapazes de
promover igualdade, liberdade e justiça social, bases preconizadas como
fundamentais pela maioria dos sociólogos para que uma Sociedade se mantenha
estável e duradoura.
Na teoria, estes modelos se mostram, cada um a seu jeito, capazes de atender aos anseios do ser humano e promover o mínimo de equilíbrio sócio-econômico. Mas, na prática, seja por ganância, seja pelo autoritarismo velado ou explícito, ambos deixaram claro, ao longo da história, que fracassaram e estão longe de alcançar seus objetivos coletivos e humanitários.
Reportando-nos ao Brasil, país em que impera o Capitalismo, constatamos que o consumismo doentio, predatório, desenfreado e irresponsável, vem sendo promovido, sem nenhuma voz que se pronunciasse contra, até os dias de hoje. Os sucessivos governos (pela priorização de suas políticas sociais), a Mídia (nas propagandas comerciais e nas telenovelas, por exemplo), a Escola (na Educação de crianças e de jovens, imitando o que há na Mídia distorcida), e algumas igrejas (que mostram a felicidade terrena deve ser alcançada pelo sucesso profissional, única e exclusivamente, esquecendo-se de valores como família, amizade, grupo social) e a própria Família que define para os jovens que o sucesso na Vida tem que ser o "status" social e o "status" financeiro, independentemente dos meios pelos quais a pessoa atinja esse "sucesso" ; todos, sem exceção, estão tácita ou deliberadamente em acordo com o sistema vigente e perverso.
Não somos contra o indivíduo consumir de forma planejada, dentro do seu orçamento e necessidades. Condenamos é o consumo desenfreado e irresponsável, provocando desequilíbrio na economia familiar, com a aquisição de bens que poderiam ser evitados ou ter a sua aquisição em momento mais oportuno.
Nestes últimos meses, por exemplo, e com a crise internacional, a ideologia do consumo foi incentivada pelo uso dos cartões de crédito, pelos crediários, pela redução de tributos como IPI, que estimulam o consumo, não visando ao bem do usuário, mas para manter os ganhos dos capitalistas selvagens e de uma economia de "bolha". Não é irresponsabilidade do Governo. É má intenção. É induzir o Povo à ilusão de que é rico ou de classe média, usando um dinheiro que não existe nem para o Governo. É, por assim dizer, uma "FARSA". Depois, aparecem a inadimplência e suas consequências em cadeia. E aí, as pessoas devolvem o que compraram ou ficam impossibilitadas de resolver as suas questões básicas como educação, saúde, habitação, lazer etc. Passam a ser escravos do crediário ou perdem o crédito na praça. Houve uma "febre" por compra de eletrodomésticos, mas nenhum plano de abastecimento foi implementado concomitantemente. Aliás, desde a Ditadura Militar, nada é feito neste campo. De Collor a Lula a política de infraestrutura nos campos energéticos, de vias de abastecimento, de educação, de saúde etc, nada mudou. Estamos no quinto ou sexto governo inerte (Collor, seu sucessor por força de impedimento, FH, FH, Lulalá, Lulalá).
Contra este capitalismo selvagem, Governo, Igreja, Escola, Mídia (a isenta, a livre) e outros setores da Sociedade poderiam ter um papel mais pedagógico e menos predatório. Graças a Deus, para nosso alento, a Igreja Católica, através da Campanha da Fraternidade deste ano, assume o Papel Singular e historicamente elogiável de condenar ou pelo menos conscientizar a população a respeito dos malefícios do consumismo doentio e irresponsável que promove o caos do indivíduo e de sua família, sem falar na comunidade e na sociedade.
Parabéns à Igreja Católica por esta Campanha! Torcemos e apelamos mesmo para que a Mídia (ressalvando os seus interesses), a Escola (que tem absoluta obrigação) e o próximo Governo acompanhem esta tarefa humanitária.