O
Salento é rico em tesouros neandertal. Nesta terra solar, que vive de
cultura e tradição, grutas marinhas e terrestres, arqueologia messápica,
specchie neolíticas, dolmen e menhir são a manifestação de uma história
antiga esculpida no território. O termo Menhir vem do dialeto bretão e significa
“pedra longa”. São longos paralelepípedos monolíticos – cerca de 4m de altura –
denominados pietrefitta, ou seja, pedras encravadas nas rochas, que
podemos encontrar agrupadas ou isoladas. Os Menhir testemunham a civilização
megalítica e os elementos de uma sociedade bem organizada, que manifestava a
própria cultura através dos seus monumentos. Desconhecemos sua origem e função,
mas tudo indica que servissem como ponto de referência ou fossem instrumentos
usados para medir o tempo. Estas construções também são associadas ao culto do
Sol e, num modo geral, aos cultos fálicos. No Salento existem cerca de 80 Menhir,
semelhantes aos presentes na Cornualha e nas ilhas Baleares.
O
vocábulo Dolmen deriva da fusão de duas palavras, também vindas do dialeto
bretão: “dol” e “men”. Significam, respectivamente, mesa e pedra. Essas
construções, que serviam como câmaras mortuárias, são as mais antigas da Europa
e encontram-se espalhadas em diversos pontos do território salentino. Estes
monumentos megalíticos são constituídos por um lajão de pedra, apoiado sobre
dois ou mais alicerces verticais que não passam de 1,5m de altura. O mais
interessante é que todas as partes que compõem o Dolmen foram extraídas de um
único bloco rochoso.
No
Salento encontram-se também le Specchie, vocábulo de origem latina (“especulae”)
que significa “ver”. São construções neolíticas feitas de pedras disformes, com
até 10m de altura, base circular e, quase sempre, de forma cônica. Há a hipótese
de que tenham sido utilizadas pelos caçadores para vigilância noturna e diurna,
defesa do território e comunicação. Outros estudiosos acreditam que as
Specchie
eram uma espécie de sepultura, como aquela descrita por Homero a Heitor, no
último canto da Ilíada. Após haver queimado os seus restos mortais numa grande
fogueira, os irmãos e os fiéis amigos colocaram os brancos ossos numa urna e a
depositaram numa fossa, sobre a qual “... di spesse e grandi pietre/con
lastrico vi fero, e prestamente il tumulo elevar...”. Como podemos observar,
nesta ponta extrema da Itália, os acontecimentos históricos e os fatores físicos
definiram a semântica da paisagem e conferiram uma certa singularidade ao
território, que não é somente de caráter geográfico, mas, sobretudo, cultural.