72 anos do Círculo Italiano do Rio

Edoardo Pacelli - dezembro de 2002

Com uma festa refinada e elegante, na sede do Clube Siro-Libanês do Rio de Janeiro, Salvatore Perrotta, atual presidente da entidade, comemorou o aniversário do Círculo Italiano do Rio de Janeiro. Muito numerosa a participação do público ao evento que contou com o fundo musical da famosa Orquestra Tabajara, cujo repertório variado muito alegrou os sócios e os amigos do Círculo. Aproveitou-se da ocasião para homenagear algumas personalidades, como o Cônsul Geral da Itália, doutor Francesco Mariano, o músico Nicolino Cupello e o presidente emérito da SIBMS, Sociedade Italiana de Beneficência e Mútuo Socorro, Giambattista Di Giuseppe. Todos receberam uma linda placa. Uma homenagem particular foi reservada à senhora Eny Sena, a preciosa e doce diretora da Villa Paradiso, a instituição da SIBMS que abriga as pessoas idosas da colônia italiana da cidade.

Fundado em 1930, o Círculo Italiano completará, no dia 22 de dezembro, 72 anos de vida. Nascido como Società Casa degli Italiani (Casa dos Italianos), de todos os italianos, sem distinção de origem regional, quatro anos mais tarde mudou seu nome para “Casa d’Italia”, nome que, sucessivamente, por ordem do Cônsul Geral da Itália no pós-guerra, foi modificado definitivamente para “Circolo Italiano”. A história do Círculo é ligada intimamente ao edifício Casa d’Italia. O prédio, que hoje abriga o Consulado e outras importantes instituições, foi erigido sobre um terreno adquirido pela Sociedade Casa dos Italianos em 1931 e doado, em 1935, ao Governo da Itália, entregue nas mãos do então Embaixador do Rei da Itália, Roberto Cantaluppo. Com a ajuda da “madre patria”, os sócios construíram o prédio que abrigou o assim dito “Dopolavoro”, onde os trabalhadores se encontravam após do expediente, duas escolas (atendendo ao primário e aos alunos do ginásio) e um teatro no qual se apresentaram as maiores estrelas italianas, de Beniamino Gigli a Elonora Duse. No salão nobre eram organizadas grandes festas que acrescentavam brilho às noites cariocas. Depois veio a guerra e o prédio foi expropriado pelo governo brasileiro. Das salas desapareceram móveis e quadros que nunca mais foram rencontrados. Terminada a guerra, o Governo brasileiro devolveu ao governo italiano o edifício. Este, obrigou a Sociedade Casa d’Italia” a mudar de nome, para não ser confundida com o homônimo prédio, em Círculo Italiano, cedendo ao Círculo um andar e algumas salas. Durante anos, no palco do segundo andar foram apresentadas peças teatrais e óperas, se organizaram exposições e cursos de vários gêneros. Vários bons presidentes se alternaram na direção do Círculo, até o atual, Salvatore Perrotta, cuja abnegação é nota a toda a colônia italiana. Depois a história é bem conhecida, o Círculo, construtor do prédio, foi obrigado a sair e a procurar abrigo em salas alheias. Seu coral teve que ensaiar no Círculo da Aeronáutica Brasileira (apenas ultimamente conseguiu voltar para a sua casa) e as festas vão acontecendo em salas arrendadas.