A verdade é revolucionária

Peppino Caldarola, tradução de Edoardo Pacelli

 

Traduzimos para os que continuam a criticar metodicamente o primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, o que escreveu o jornalista Peppino (Giuseppe) Caldarola, ex deputado comunista, sobre a atuação do chefe do governo italiano, na emergência provocada pelos eventos sísmicos na Itália.

Desta vez vimos um verdadeiro Estado. Nunca tinha acontecido antes. Na região da Irpínia (em ocasião do terremoto de 1980) medidas foram tomadas somente após as duras palavras do presidente Pertini e suas acusações contra a inércia do governo da época. O Presidente atual, Napolitano, não precisou fazer grandes discursos na TV; a Proteção civil do subsecretário Bertolaso, está se confirmando uma das estruturas mais eficientes da República. As forças de polícias foram mobilizadas em poucas horas, os bombeiros mostraram a mesma coragem dos de Nova Iorque, em 11 de setembro. Os socorros não precisaram se perguntar o que fazer ou para onde ir. Lembro a angústia dos voluntários na Irpínia quando a generosidade de tantos se perdia de frente da ineficiência da intervenção pública. Berlusconi assumiu, imediatamente, a responsabilidade de dirigir, pessoalmente, a complexa máquina dos socorros. Como fez com Nápoles (onde, em poucos mais de três meses, eliminou o problema do lixo que andava se alastrando havia quinze anos), também em Áquila o primeiro ministro não delegou nenhum poder, mas está lutando em pessoa. O que impressiona é a clareza do comando. O Estado, presente na cidade, mostrou todas as suas faces: amigável com quem tudo perdeu, procurou impedir que o pânico se espalhasse, mobilizou recursos e os está coordenando, está sendo inflexível com os mal intencionados. A imagem da Itália que aparece, alguns dias depois do terremoto, é a de um País ferido, mas não derrotado. È, igualmente, a imagem de um País orgulhoso. A recusa das ajudas estrangeiras foi possível graças à nossa capacidade de enfrentar a crise. Da emergência nós tratamos, mas precisamos de ajuda na reconstrução. Esta é a resposta forte dada aos governos estrangeiros, inclusive o americano, que, generosamente se ofereceram para enviar dinheiro e medicamentos. Dizemos a verdade: a reação do Estado, desta vez, pareceu surpreendente. Estávamos acostumados a ver populações abandonadas a si mesmas, a prefeitos obrigados a implorar intervenções imediatas, a confusão de intervenções sem coordenação. Costuma-se dizer que nos momentos excepcionais, a Itália mostra o melhor de si. Desta vez, foi o governo a mostrar o melhor de si. Não tenho nenhuma reticência para escrever que tudo isto é mérito de Berlusconi. (Todas as oportunidades para ridicularizar Berlusconi, são baseadas em situações, interpretadas com malícia e, logo que se prove a honestidade e a verdade dos fatos, a mídia se omite). As ridículas e infundadas denúncias sobre Berlusconi e as supostas gafes abrandaram, e todos os olhos comprovaram que o primeiro ministro mostrou uma capacidade de enfrentar a crise, como jamais se viu no passado. Berlusconi mostrou, nestas horas, capacidade de liderança geral. Após o sucesso de Nápoles, o jeito de encarar a crise provocada pelo terremoto irá aumentar seu índex de popularidade (de fato já aumentou para 83% o consentimento dos italianos). Será que suas atitudes são um bem apenas para ele e para o seu partido? Não eu, como homem de esquerda, acho que é um bem para todos. A Itália tem um chefe de governo que garante a seriedade das intenções, que tem uma visão própria de como resolver os problemas, que sabe falar e que sabe fazer. Berlusconi consertou o Estado duas vezes, em Nápoles e agora no Abruzzo. Isto é o que se cobra de um homem político de governo e isto foi o que aconteceu. Sei muito bem – conclui Caldarola – que, escrevendo tudo isso, eu vou atrair sobre a minha cabeça impropérios e insultos de muitos companheiros de partido. Um tempo dizia-se que “a verdade é revolucionária”. Acredito nisso. Reconhecer que o principal expoente do partido, que nos é adverso tenha dado prova de capacidade de governo, é o mínimo que eu possa fazer, hoje. Não precisamos ter medo de criticar o governo, nem sequer de apreciá-lo, quando o merece.”