Berlusconi absolvido pela quarta vez

di E. Pacelli

Quando, anos atrás, condenaram Berlusconi à prisão, com pena de dois anos e nove meses, os juízes do tribunal de Milão admitiram, na motivação, de não possuir prova nenhuma de que Berlusconi seria um corruptor. Eles declararam ter juntado "inúmeros, pequenos tijolos... historicamente e logicamente ligados" e de tê-los "reordenados segundo o raciocínio e a experiência", escolhendo, ao fim "uma hipótese preferível respeito a outras". Em suma, o Cavaliere non poteva non sapere - não podia deixar de saber. Este foi o "crime" mais importante, pois deste nasceram todos os outros inquéritos contra Berlusconi. Se Berlusconi estivesse apenas exercendo o cargo de chefe da oposição parlamentar, esta sua absolvição, a quarta, sobre quatro processos amadurecidos até agora, já seria um fato importante, também do ponto de vista eleitoral, mas o problema é que o processo, que se concluiu dia nove de maio deste ano, com uma absolvição plena e três outras por que o "crime" caiu em prescrição (mas os legais já apelaram, pois querem absolvição completa), o processo nasceu quando Berlusconi era Chefe do Governo e recebeu o aviso para comparecer no Fórum de Milão, quando exercitava a Presidência da Conferência da ONU, sobre a criminalidade. Um fato clamoroso e inédito, na história italiana e da diplomacia mundial.

Era o dia 21 de novembro de 1994. O dia precedente, em ocasião das eleições administrativas em algumas pequenas cidades, Forza Italia tinha visto diminuída cerca 6-10% a sua força política, em comparação às eleições políticas de março (quando a coalizão de centro-direita ganhou as eleições). Enquanto o Cavaliere estava preparando na sua suíte no Hotel Vesúvio, dedicada a Enrico Caruso, em Napoli, uma declaração para justificar a derrota, em Milão Antonio Di Pietro estava compilando o pedido de comparecimento, antes de viajar para Paris, para confundir os paparazzi, deixando ao juiz Piercamillo Davigo o ônus de escrever, no maior segredo, no próprio computador, o ato judiciário. À noite, Berlusconi estava voltando para o Hotel, apos ter assistido a um concerto de Pavarotti em homenagem à delegação da ONU, quando foi chamado pelo secretário Gianni Letta que comunicava que dois oficiais dos carabinieri tinham se apresentado no Palácio do Governo, em Roma, para entregar um envelope pardo por parte do Procurador Chefe de Milão. Berlusconi indagou e soube que o Ministro da defesa, nem sequer o Comandante dos Carabinieri estavam a par da viagem. Assim que pode, chamou ao celular o oficial dos carabinieri e lhe pediu para ler a carta do procurador. Logo depois, concordou que teria encontrado os oficiais em Roma, no dia seguinte. Na manhã do dia 22, o então chefe do governo italiano foi acordado, às cinco horas e meia, quando lhe foi comunicado que o jornal Corriere della Sera, de Milão, publicava a notícia, na primeira página, antes mesmo que o direto interessado tivessem visto com os próprios olhos o documento da procura de Milão. Era o fim do Governo Berlusconi e da sua carreira política. Jogado na cova dos leões - os jornalistas do mundo inteiro - passando vergonha na frente dos representantes de cento e trinta Países que ele aceitou encontrar, o Cavaliere viu se abrir, na sua frente, o próprio túmulo político. Até hoje ninguém sabe quem foi a "garganta profunda" que passou a notícia ao maior jornal italiano. Esta história condicionou, sem sombra de dúvida, a vida política italiana nestes últimos seis anos, desacreditando a Operação Mãos Limpas. Hoje registramos que foi caçada a condenação pronunciada por juizes que admitiram ter celebrado um processo indiciário que, talvez, nunca deveria ter iniciado.

"Eu me pergunto quem poderá apagar os danos aportados a mim, ao meu movimento, à coalizão de centro-direita e ao País por uma Justiça patentemente política". (S. Berlusconi)