Carta do "Nuovo PSI" à Internacional Socialista

Queridos companheiros:

desejamos aproveitar da ocasião da reunião da Internacional Socialista a celebrar-se em Roma, para enviar uma mensagem de amizade e fraternidade. Nossa formação política, o Novo Partido Socialista Italiano, nasceu nas difíceis condições em que se encontrou o movimento socialista italiano durante a inteira década dos anos noventa, e é uma das formações daquela diáspora que pertence à raiz histórica comum do socialismo italiano. 

O movimento nasceu em 1892, e entre suas figuras conta com as de companheiros inesquecíveis como Sandro Pertini, Giuseppe Saragat, Pietro Nenni e Bettino Craxi, preclaros exemplos de socialistas democráticos, homens políticos que ocuparam os mais altos cargos de nossa república. A especificidade do "caso italiano" nos levou a conduzir uma batalha de caráter autônomo durante os anos noventa e os primeiros do novo século, em oposição à "esquerda real" de nosso país, cuja maior parte em absoluto se desenrolou ao redor de formações que eram herdeiras da tradição comunista. Em seus valores, na caracterização de nessa luta democrática, na sua recusa a assimilar impulsos neoliberais e na sua oposição a novas formas de imposição ideológica de caráter xenófobo e integralista, em sua oposição à afirmação de poderes econômicos e burocráticos que se impõem servindo-se de setores do estado, militares o judiciais: em tudo isso, nossos princípios seguem firmemente ancorados à mais pura tradição do socialismo internacional e à metodologia reformista que caracterizou o movimento socialista na Itália, na Europa e no mundo inteiro. 

Temos apoiado tantos movimentos democráticos que lutaram pela democracia e pela liberdade em seus próprios países: liberdade das ditaduras militares de orientação fascista e liberdade dos regimes totalitários de tinta comunista. Temos trabalhado a fim de ampliar os horizontes de um mundo moderno próspero e pacificado, temos sido protagonistas da construção da União Européia quando éramos una força de governo firme e resolutamente democrática. Nosso último e prestigioso líder, Bettino Craxi, foi protagonista, como outros homens políticos pertencentes à Internacional Socialista, quando enfrentou a difícil questão da dívida econômica dos países do Terceiro Mundo, por encargo do Secretário da ONU, Pérez de Cuéllar. 

Continua sendo, esta, uma questão ainda a ser resolvida, e que todavia insta os partidos socialistas a manter constantemente forte e alta sua sensibilidade pelo tema. Consideramos, queridos companheiros, que é preciso reiterar novamente nosso compromisso político sobre questões capitais que atenazam uma Humanidade cada vez mais ameaçada por fenômenos de natureza e intensidade sempre nova, que, somente atualizando e adequando nossos programas, nossas propostas e nossas tensões ideais, poderemos dominar e governar. Renovar a cultura do socialismo democrático, ampliando seus horizontes programáticos e ideais a outras experiências culturais e políticas é um dos temas de fundo aos quais se dedicaram os partidos da Internacional Socialista em todos estes anos.

Consideramos que nossa atitude política respeito as novas, e até agora desconhecidas, formas de violência integralista não é diferente respeito àquela de outros movimentos políticos europeus, come o britânico: contra estas formas de violência é preciso adotar formas de contraste baseadas, antes de mais nada, na cooperação e na unidade com aqueles países que, em todo o mundo, expressam sentimentos e valores de natureza democrática. Da mesma forma, não sentimos estranha à nossa cultura a tensão ideal e moral que parece imperar nas novas formas de organização e movimento cultural e político que querem denunciar os efeitos desequilibrados de uma economia sem regras, que prejudica e provoca conseqüências perversas em particular nas regiões mais pobres do planeta. Por estas e outras considerações, companheiras e companheiros, nos sentimos perfeitamente integrados na família do Movimento Internacional Socialista, tanto por razões antigas como por razões modernas. 

Na atualidade, a larga e difícil transição italiana não nos vê colocados, no Parlamento Nacional, junto aos demais partidos, e, em particular, junto ao Partido (DS) que, precisamente por nossa intervenção direta, é hoje membro a pleno título da Internacional Socialista. Ao contrário, nós nos encontramos numa posição autônoma, prestando nosso apoio parlamentário, não relevante, a um governo liderado por um partido membro da Internacional Democrata Cristã. Sentimos todo o peso da difícil e tão dolorosa vicissitude histórica italiana que se encerrou com o fim do glorioso PSI e a morte de seu Líder, longe da terra pátria. Também sentimos o peso e as dificuldades de todas as contradições que derivaram daquelas vicissitudes, que primeiramente dividiram para depois levar à derrota de toda a Esquerda italiana, uma derrota que é conseqüência do cancelamento da Tradição socialista. Pensamos honrar nossa raiz política comum, a memória de nossos líderes, a de Bettino Craxi, de cuja morte comemora-se o terceiro aniversário precisamente nestes dias, e solicitamos aos companheiros da Internacional Socialista permitir-nos participar de seus labores em Roma, mantendo o Status de Observadores. O consideraríamos um passo útil, que poderia pressagiar processos unitários no futuro. Um ato de atenção democrática face aos filhos da mesma tradição política que quere apontar com confiança e esperança ao progresso do Movimento Socialista no mundo. 

A todos vocês, uma saudação sincera e fraterna.

Assinado

· O Coordenador e Porta-voz da Secretaria Nuovo PSI - Deputado Vittorio Craxi

· O Responsável Internacional - Deputado Nereo Laroni.