O Comunismo - Il Comunismo

Olavo de Carvalho - Zero Hora, 12 de janeiro de 2003

Se você imagina que o comunismo é uma "ideologia" e que uma vez desmoralizada esse ideologia ele desapareceu da face da Terra, a sugestão que lhe dou é: -- Acorde. Você está sonhando. Está no mundo da lua. Está tirando conclusões sobre o mundo real sem o mínimo conhecimento de causa e com base em fantasias da sua própria invenção. Ideologia é um discurso legitimador, um sistema de pretextos para justificar alguma ação política. Mas, se o pretexto pode justificar a ação, não pode orientá-la. Toda ação tem de seguir um plano logicamente concatenado, que o pretexto apenas encobre e disfarça mediante mil e um arranjos verbais de ocasião. Conceber o comunismo apenas como ideologia, ou predominantemente como ideologia, é tão maluco quanto julgar um homicídio tão-somente com base nas alegações do assassino em favor de si próprio.

Para saber o que é o comunismo, é preciso olhá-lo sobretudo como conjunto de ações concretas, que vão desde a formação dos primeiros grupos militantes até à tomada do poder e à instauração da nova sociedade.

O comunismo é a lógica interna desse conjunto de ações, do qual a ideologia é apenas uma peça auxiliar indefinidamente substituível. Sim, substituível: o comunismo já trocou de ideologia uma bela meia dúzia de vezes, sem perder nada de sua unidade enquanto força historicamente atuante. A palavra unidade, aí, é a chave: o comunismo nunca teve unidade ideológica. Teve sempre, em contrapartida, uma vigorosa unidade estratégica, mesmo nos momentos em que parecia mais dividido, já que a produção e administração de divisões é mesmo uma das forças que o mantêm em movimento. Ora, o conceito de uma coisa nada mais é do que a apreensão intelectiva daquele fator "x" ao qual ela deve sua unidade interna. O jogo dialético da unidade estratégica na diversidade tática é a chave para a apreensão conceptual do comunismo. A fórmula é aliás devida ao próprio Stálin -- o maior dos estrategistas do comunismo em todos os tempos, maior mesmo que Gramsci.

Portanto, para saber se um sujeito é comunista ou não, é inútil catalogar ideologicamente o que ele diz. O que é preciso perguntar é: com quem ele se associa, por quanto tempo e com que fins? Quais são suas alianças de ocasião e suas parcerias duradouras? Dito de outro modo: quais as suas ligações táticas e estratégicas? Ou, de outro modo ainda: que estratégia de longo prazo dá unidade à variedade de suas mutações táticas? Vistas sob esse ângulo, até as variações aparentemente insanas de uma "metamorfose ambulante" podem revelar um método por trás da loucura.

 

Se immagini che il comunismo sia una "ideologia" e che, una volta mortificata questa ideologia il comunismo possa sparire dalla faccia della Terra, il suggerimento che ti do è: "Svegliati, stai sognando. Stai nel mondo della luna. Stai tirando conclusioni sul mondo reale senza la minima conoscenza di causa basandoti su fantasie che tu stesso hai inventato". Ideologia é un discorso legittimante, un sistema di pretesti per giustificare una azione politica. Ma, se il pretesto può giustificare l'azione, non la può orientare. Ogni azione deve seguire un piano logicamente concatenato, che il pretesto appena copre e maschera mediante mille e più adattamenti verbali d'occasione. Concepire il comunismo appena come ideologia, o prevalentemente come ideologia, è uma cosa così pazzesca quanto giudicare un omicidio attenendosi soltanto alle allegazioni portate dall'assassino per difendersi.

Per sapere cos'è il comunismo, occorre guardarlo, soprattutto, come "insieme di cose concrete", che vanno dalla formazione dei primi gruppi militanti, sino alla presa del potere e alla instaurazione della nuova società.

Il comunismo è la logica interna di questo insieme di azioni, del quale l'ideologia è una tessera ausiliare, indefinitamente sostituibile. Si, sostituibile: il comunismo ha cambiato l'ideologia, per lo meno una buona mezza dozzina di volte, senza nulla perdere della sua unità in quanto forza storicamente attuante. La parola unità, ecco, è la chiave: il comunismo non ha mai avuto unità ideologica. Ha sempre avuto, in contropartita, una vigorosa unità strategica, anche nei momenti nei quali appariva più diviso, dato che la produzione e la gestione di divisioni è proprio una delle forze che lo mantengono in movimento. Ora il concetto di una cosa, non è nulla più che la comprensione intellettiva di quel fattore "X", al quale deve la sua unità interna. Il gioco dialettico dell'unità strategica nella diversità tattica è la chiave per la comprensione concettuale del comunismo. Si deve, d'altronde, allo stesso Stalin la formula - il maggior stratega del comunismo di tutti i tempi, maggiore dello stesso Gramsci.

Pertanto, per sapere se un soggetto è comunista o no, è inutile catalogare ideologicamente ciò che dice. Ciò che occorre chiedere è: con chi si associa, per quanto tempo e a che scopo? Quali sono le sue alleanze occasionali e quali le durature? Detto in altro modo: quali sono i suoi legami tattici e strategici? O, ancora, in un altro modo: che tipo di strategia a lungo termine dà unità alla varietà dei suoi cambiamenti tattici? Visti sotto questo angolo, persino i cambiamenti apparentemente insani di una "metamorfosi ambulante" possono rivelare un metodo dietro la pazzia.