Historia magistra vitae

Os recentes e trágicos acontecimentos, os ataques terroristas que ensangüentaram os Estados Unidos, causando milhares de vítimas e numerosos feridos, se de um lado nos fazem expressar todo o horror e desgosto que tal tipo de ação provoca, do outro nos impõem um exame de consciência sobre os motivos que desencadearam esta violência toda. A indignação internacional, porém, deve levar à recusa da violência indiscriminada. Responder a um crime hediondo com outro, seria como descer ao mesmo abismo de desumanidade, como limpar a lama com a lama. Não se pode responder à injustiça com outra injustiça. Enquanto os interesses políticos serão subordinados aos econômicos, enquanto alguns povos obrigarem outros a se prostituir por um punhado de dólares, sempre haverá motivo para atos de loucura e desespero. A história européia, infelizmente, está repleta destas ações de vingança que levaram as populações do continente a massacrar-se umas às outras ao longo dos séculos por vingança política ou religiosa. Sempre em nome da justiça. Será que o passado nada ensinou? Afinal, será a vingança que nos guiará neste novo milênio? É isso o que queremos? Justiça, sim. Condenação, sim. Punição, sim. Mas segundo uma justiça democrática, isto sim, a mesma que desejaríamos para nós. No fundo, o tema que nos propõe esta tragédia é o tema da fome, da justiça, da saúde, do ambiente, dos direitos humanos de todos os seres da terra. Enquanto choramos, trememos, rezamos, pensamos no futuro que cada um de nós gostaria de ter em nosso planeta, para nós e nossos filhos, pois este é o verdadeiro tema da sobrevivência do gênero humano. No dia 11 de setembro, foi aberto um perigosíssimo vaso de Pandora. God bless the earth.