Desinformação ou manipulação?
O
jornal O GLOBO publicou dia 18 de abril passado, em editorial da seção O
Mundo, artigo sobre a vitória, na Itália, da coalizão de centro-direita
(e não de direita, como erradamente diz o artigo). Os editores do jornal estão
mal informados ou odeiam o vencedor das recentes eleições regionais. A
reconstrução Saiba mais sobre Silvio Berlusconi, mostra um inventário
de desinformação (será proposital?). Leia os artigos e compare com os fatos
abaixo.
- Berlusconi
não é o homem mais rico do País;
- A
aparição de Berlusconi na política foi causada pela operação Mani
Pulite que, com meios pelo menos discutíveis, destruiu a cúpula que
governava a Itália, desde 1948, abrindo as portas do governo aos pós-comunistas;
- Que
os métodos de Mani Pulite eram discutíveis foi provado com a aprovação
do Parlamento da lei do “Giusto Processo”, isto é, do Processo
Justo, no final do ano passado. Junto com a aprovação do Processo Justo,
foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as omissões
e as perseguições dos juízes da operação Mani Pulite;
- As
eleições de 1994 mostraram que a Itália não queria os comunistas ao
governo. Berlusconi venceu e sofreu, imediatamente, a perseguição de uma
magistratura profundamente politizada, a assim dita Toghe Rosse.
- O
mundo todo está cansado de saber que o problema da Previdência é o mais
importante, hoje, para os governos. Os cortes que o governo Berlusconi
cogitou, eram muito mais leves dos que foram feitos pelos
governos sucessivos, que contavam com o apoio dos sindicatos (outra
demonstração da politização dos mesmos).
- Berlusconi
não renunciou por causa da crise econômica (durante o seu breve governo
tinha já conseguido a criação de 400 mil novos empregos), mas pelo famoso
“ribaltone”, vale dizer “grande pulo” provocado da passagem
do aliado Umberto Bossi para a oposição. A história dessa traição ainda
tem que ser escrita. Bossi foi chamado de libertador, de fiel defensor da
democracia e de patriota. Quando dois meses atrás o líder da Lega Nord decidiu
voltar com Berlusconi, vista a arrogância e ganância da atual coalizão,
foi chamado de direitista, fascista e amigo de Haider! Milagres da política
esquerdista italiana!
- As
batalhas jurídicas de Berlusconi são contra a perseguição; nos processos
iniciados por Mani Pulite o líder de Forza Italia está sendo
inocentado pelos juízes normais e não por que está se beneficiando pela
condição de parlamentar;
- A
oferta de funerais de estado para Bettino Craxi demonstra, embora em maneira
tardia, que o ex-chefe de governo estava sendo perseguido politicamente.
- Imaginem
os senhores que um grupo de fiscais da receita federal brasileira inicie uma
devassa administrativa nas organizações de um importante grupo de comunicação
carioca. Imaginem, agora, que um executivo de uma das organizações tente
subornar os fiscais. Quem seria o culpado? O todo poderoso dono do império
carioca ou o executivo? E se a desculpa dos magistrados foi que o poderoso
chefão “não podia não saber”, por que o mesmo princípio não se
aplica ao ministro da fazenda que “não pode não saber” das propinas
que alguns dos fiscais levam, de vez em quando, na ocasião das devassas?
- O
fato que a parte mais produtiva da Itália, a mais próxima da Europa, que
mais foi politizada pelas esquerdas, onde não existe quase o desemprego e,
no Sul, regiões como a Puglia, a Calábria e os Abruzzi, escolheram o
centro-direita, isto é, que 32 milhões de habitantes fizeram este tipo de
escolha, deveria demonstrar que Berlusconi, no fundo, não deve ser tão mau
assim como O Globo está tentando demonstrar.
- No
artigo se declara que a “a direita é contra a lei”, a nova lei
eleitoral. Isto é uma mentira: o referendum sobre a nova lei
eleitoral foi convocado exatamente por Alleanza Nazionale, o partido
da direita e os atuais dirigentes dos DS (Democráticos de Esquerda) apenas
agora estão tomando carona;
- A
maior mentira do artigo, pois não se pode usar palavra diferente, é a
frase: “Berlusconi usou e abusou de seu poder na mídia para fazer acusações
ao Governo e promover uma direita que ele próprio conseguiu unir”. Ora, só
quem não está a par com a política italiana pode ignorar que a atual
coalizão, desfrutando a maioria que tem no Parlamento, aprovou a lei da par
condicio, proibindo os spots publicitários nas TVs privadas,
eliminando, dois meses antes das eleições, o potencial perigo representado
por Berlusconi. Em segundo lugar, a maioria da mídia escrita está toda
alinhada com o atual Governo e, em alguns casos, é cúmplice dele,
publicando falsas notícias e dando a possibilidade ao Chefe do Governo,
D’Alema, de intervir atacando a oposição.
- Sem
acontecimentos dramáticos, sem manifestações de praça - que foi
mobilizada pela esquerda, em 1995, para causar a queda do governo Berlusconi
- ordenadamente, democraticamente, no dia das Palmeiras, os italianos
decidiram-se pela mudança, simplesmente colocando suas cédulas eleitorais
nas urnas. 32 milhões de italianos escolheram a oposição, contra 16 milhões
que optaram pelo governo. A totalidade da Itália produtiva do Norte e parte
da Itália do Sul, contra as antigas e tradicionais catedrais dos ex (?)
comunistas. Um voto e uma mensagem: Senhor D’Alema acabou. Pode voltar
para casa. Pode deixar o poder mantido, até então, pela esquerda com um
falso buonismo-chic (mostrando uma falsa bondade) do secretário do
partido esquerdista DS e do prefeito de Roma, mas com a real arrogância e
prepotência dos aparados vetero-comunistas (velhos comunistas). O
governo foi inepto e a Itália vê, com satisfação, a queda dos
usurpadores de tudo: em primeiro lugar, da verdade, ignorada, repudiada,
ludibriada, segundo o interesse do momento, pela desinformação da “célula”
de “Saxavermelha” (na realidade Saxarubia, sede da RAI) e dos jornais cúmplices
que encobriram as roubarias da Operação “Arcobaleno”, a praga da
imigração não controlada, o caos da saúde pública, a insegurança total
garantida por um Ministro incapaz. Um governo com um formidável aparado
para divulgar um falso bem-estar, mas com silenciador para evitar o
confronto com a infeliz realidade.