Informação ou manipulação? (5)

Carta à Rede Globo, 31 de dezembro de 2003

Prezados Senhores, peço desculpa, em primeiro lugar, pelos inevitáveis erros de português e, talvez, por não ser este o endereço certo para a minha queixa, mas, no site da TV Globo, não encontrei o link onde pudesse expressar o meu pensamento. Fui assinante do Jornal O Globo por dezenas de anos. Parei de recebê-lo depois de ter encontrado nele persecuções miradas contra o atual presidente Berlusconi, notícias tendenciosas, nunca dando a possibilidade de um debate e, sempre, todas as notícias colhidas dos canais de informação ligados à atual oposição italiana. Continuei assinando a NET, pois a tendenciosidade parecia menor, mas depois de ter assistido ao resumo de ontem, 30 de dezembro, sobre os acontecimentos do ano 2003, transmitido pelo canal Globo News, quando o primeiro ministro de uma das Nações mais civilizadas do planeta – eleito democraticamente pela maioria dos italianos, cuja atuação na presidência da União Européia foi elogiada por todos os parceiros pelos resultados alcançados – foi tratado por um, assim dito, jornalista, de palhaço. Este jornalista comentou, apenas, o que seriam "trapalhadas" do primeiro ministro da Itália, o que provocou em mim revolta e decepção. Decidi parar de assinar a NET e convidarei todos os meus amigos e companheiros a fazer a mesma coisa. Por que os jornalistas brasileiros que escrevem sobre os assuntos italianos, não se aprofundam no escândalo da Parmalat? Por que não investigam o motivo de as firmas ligadas ao presidente Berlusconi terem sido investigadas por uma dezena de anos (desde que entrou na política, contra os comunistas) enquanto os controladores finaceiros da Parmalat puderam trabalhar, anos a fio, sem qualquer controle? Descobririam que os responsáveis do fracasso desta última, depois de terem arrasado a Olivetti (uma das maiores firmas de informática da Europa), são responsáveis, pelas omissões, igualmente, do fracasso da indústria de Parma. Descobririam, aliás, que, nesta jogada, aparece o maior adversário de Berlusconi, o mesmo que queria adquirir a empresa Círio a preço de banana. Por que Berlusconi teve que responder a centenas de processos (dos quais se saiu limpo, apesar do que divulga a oposição e a mídia de propriedade do grupo De Benedetti, o que queria adquirir a Cirio), enquanto as empresas ligadas às esquerdas italianas, puderam trabalhar em paz, sem serem perturbadas pela fiscalização? Imaginem se a Televisão da Itália tivesse que comentar os lapsos do atual presidente do Brasil, comentar os assaltos cotidianos nas ruas desta cidade, inclusive o assalto ao diretor de sua emissora, qual seria a conseqüência para o turismo carioca? Ontem aliás, comentando a presença dos turistas estrangeiros no Rio, o cronista falou de todos os Países menos da Itália, quando o maior número de turistas estrangeiros, depois dos argentinos, provém, justamente, da Itália. Graças a Deus, os cariocas, na realidade, apreciam a Itália, têm sede de informações e sabem coletar os bons frutos que este país pode e deseja oferecer ao mundo. Eles não comungam das informações tendenciosas divulgadas pela mídia ligada à rede Globo. Sei que não receberei resposta, como é hábito, mas sinto-me aliviado e feliz porque a Virtua ainda não chegou ao meu bairro. Uma assinatura a menos a cancelar. Sejam os divulgadores das boas e belas notícias. Nós temos a fisionomia daquilo que pensamos e transmitimos.

Feliz 2004, Edoardo Pacelli