Itália e Brasil no Haiti

Edoardo Pacelli

 

Estamos assistindo ao nascimento de uma nova era nas relações entre a Itália e o Brasil. Solicitada pelo governo brasileiro, que pediu ao presidente Berlusconi o envio de um navio italiano para prestar ajuda no Haiti devastado pelo tremor de terra, a Itália está enviando não apenas o navio solicitado, mas o porta-aviões Cavour na ilha martirizada. Este navio, que zarpou no dia 19 de janeiro, constitui, de fato, um verdadeiro hospital avançado contando com 1208 leitos, 400 metros quadrados de salas, duas salas de cirurgias, uma sala radiológica- TAC, 8 leitos para UTI, dois consultórios, uma sala de reanimação, outra para tratamento em caso de ustões, queimaduras, laboratório de análises e laboratório odontológico.  A bordo encontra-se, ainda, uma câmara hiperbárica transportável, para fornecer a melhor terapia nas síndromes de esmagamento.

Além disso, o navio está carregado com 135 toneladas de produtos para ajudas humanitárias vindos da FAO (Food and Agriculture Organization, da ONU) e 77 toneladas de ajudas enviadas pela Cruz Vermelha italiana.

 

O plano de viagem prevê uma etapa no Brasil, em Fortaleza, onde serão acolhidos os médicos da expedição humanitária brasileira. Esta parada não corresponde a uma lógica organizativa ou sanitária. Ao contrário, é ilógica, em ambos os casos. A escala, grande desvio de rota,  brasileira serve para colocar o carimbo brasileiro sobre a missão, uma espécie de visto no “passaporte” internacional da nave Cavour. Foi justamente o governo brasileiro quem pediu um navio à Itália e são os brasileiros que têm, no Haiti, o maior contingente militar da ONU. Por isso o Brasil quer mostrar “bandeira” quando o navio italiano chegará em Port au Prince. O governo italiano não levantou objeções por questões do bom relacionamento entre as duas diplomacias.