Estamos
assistindo ao nascimento de uma nova era nas relações entre a Itália e o Brasil.
Solicitada pelo governo brasileiro, que pediu ao presidente Berlusconi o envio
de um navio italiano para prestar ajuda no Haiti devastado pelo tremor de terra,
a Itália está enviando não apenas o navio solicitado, mas o porta-aviões Cavour
na ilha martirizada. Este navio, que zarpou no dia 19 de janeiro, constitui, de
fato, um verdadeiro hospital avançado contando com 1208 leitos, 400 metros
quadrados de salas, duas salas de cirurgias, uma sala radiológica- TAC, 8 leitos
para UTI, dois consultórios, uma sala de reanimação, outra para tratamento em
caso de ustões, queimaduras, laboratório de análises e laboratório
odontológico. A bordo encontra-se, ainda, uma câmara hiperbárica transportável,
para fornecer a melhor terapia nas síndromes de esmagamento.
Além disso, o navio está carregado com 135 toneladas de produtos para ajudas humanitárias vindos da FAO (Food and Agriculture Organization, da ONU) e 77 toneladas de ajudas enviadas pela Cruz Vermelha italiana.
O
plano de viagem prevê uma etapa no Brasil, em Fortaleza, onde serão acolhidos os
médicos da expedição humanitária brasileira. Esta parada não corresponde a uma
lógica organizativa ou sanitária. Ao contrário, é ilógica, em ambos os casos. A
escala, grande desvio de rota, brasileira serve para colocar o carimbo
brasileiro sobre a missão, uma espécie de visto no “passaporte” internacional da
nave Cavour. Foi justamente o governo brasileiro quem pediu um navio à Itália e
são os brasileiros que têm, no Haiti, o maior contingente militar da ONU. Por
isso o Brasil quer mostrar “bandeira” quando o navio italiano chegará em Port au
Prince. O governo italiano não levantou objeções por questões do bom
relacionamento entre as duas diplomacias.