Livro fala sobre o submundo da indústria das falsificações

No próximo dia 17 de outubro, o vice-presidente da CPI da Pirataria, deputado federal Julio Lopes lançará na Saraiva Mega Store - Shopping Rio Sul(Rua Lauro Müller - 116 - 3ºandar), às 19h, o livro Pirataria: Desatar esse Nó, obra que trata dos bastidores de diligências, audiências, além de detalhes de investigações sobre o mercado das falsificações. O parlamentar resolveu contar um pouco sobre tudo o que viu durante diligências a frente da CPI e falar dos prejuízos gerados pela pirataria. Indústria que abocanha mais de R$30 bilhões em tributos, verba que poderia ser investida em educação e saúde, por exemplo.

No livro, histórias impressionantes como a luta para prender o maior contrabandista do país, o chinês Law Kin Chong, que, inclusive, já foi homenageado pela Polícia Federal de São Paulo...

Resumidamente, um caso: o chinês Law Kin Chong é dono de três prédios na 25 de março, em São Paulo, que são verdadeiros centros de pirateados. Para conseguir manter o funcionamento dos 'pontos' ele usava laranjas, além de suborno... Num dos casos, a CPI da Pirataria descobriu o envolvimento de Law com Juízes Federal através da negociação de sentenças. Nas negociações, o pagamento era feito através de dinheiro ou produtos contrabandeados. A descoberta de compra e venda de absolvição resultou na prisão de seis magistrados, entre eles, o juiz Rocha Matos, além de policiais e demais envolvidos. E, numa das audiências da Comissão, quando o deputado Julio Lopes contestou o chinês quanto sua realidade financeira e sobre ter presenteado Rocha Matos e a mulher com TVs de Plasma última geração, diante do que alegava, receber dois mil reais mensais (embora viajasse com a família, pelo menos três vezes para a China por ano, entre outras viagens e gastos), Law com ironia enfrentou o deputado: "Deputado, são só presentes. O senhor não precisa ficar nervoso com isso. Veja bem, se o senhor quiser eu dou uma para o senhor também... Pode passar lá e pegar uma pro senhor e pra sua esposa." E, o Chinês não foi preso aí, não. Só depois de algum tempo que, enfim, a CPI consegui provas suficientes para garantir a prisão deste sujeito.

Outro caso absurdo aconteceu durante diligência dentro de um dos shoppings de Law... Os deputados estavam procurando mercadorias contrabandeadas e falsificadas num enorme complexo com vários galpões, com um 'guia' da Polícia Federal. Desde das 5h da manhã, parlamentares, agentes da PF e da Receita vasculhavam o local. Já pelas 15h, parlamentares e agentes exautos ainda não tinham achado nada e, pior, estavam aflitos porque o mandato de busca e apreensão expiraria às 18h. Foi quando um investigador a serviço de um grande escritório de advocacia se aproximou discretamente do deputado Julio Lopes e disse: "Deputado, tão passeando os senhores. A carga pirata está do outro lado. Tá tudo (policiais) comprado (suborno)." Com as informações, a busca tomou nova direção e o grupo apreendeu mais de 40 toneladas de material falsificado mais cargas contrabandeadas.

Dá para perceber como a lei é branda no Brasil, não é? O que resulta hoje na facilidade pela prática da falsificação. Hoje, a pirataria dá mais lucro (300% a mais, calculado sobre o custo de produção) do que a venda de cocaína... Resultado: a pirataria é um dos braços do crime organizado...

Os índices de pirataria também são apresentados na obra, números avassaladores. Na indústria fonográfica, por exemplo, o mercado ilegal disparou de 3%, em 1993, para 53%, em 2003, e, no ano de 2004, 400mil postos formais foram perdidos. Por isso mesmo, o deputado Julio Lopes busca reforço em campanhas de conscientização. Neste mês de setembro, o parlamentar organizou novamente uma Mostra de Produtos Pirateados em Brasília... Como no ano passado, o evento reuniu inúmeras associações, entidades e órgãos comprometidas com a causa, como a ABPD, a ABES, o INMETRO, entre outros.

Este ano, o evento ganhou reforço com um seminário realizado em paralelo com a mostra de pirataria, onde também participaram parlamentares de outros países, além de autoridades e empresários.

O dep. Julio Lopes está muito envolvido com o combate ao mercado ilegal, tanto que conseguiu neste junho trazer a cúpula da Interpol para o Brasil, que realizou o Congresso Internacional de Combate à Contrafação aqui no Rio de Janeiro. Iniciativa que nos fortalece diante das ameaças constantes de retaliação dos EUA caso os índices de pirataria não sofressem redução no País.

Foi ele também que articulou a integração de um agente nosso na inteligência da Polícia Internacional, grupo responsável pelo trabalho de investigação e repressão aos crimes de pirataria no mundo.

Enfim, além de todas as iniciativas no sentido de coibir tal prática criminosa, o parlamentar vai lançar um livro sobre pirataria (Pirataria: Desatar esse Nó) pq acha que as campanhas apenas não são suficientes para conseguir o entendimento da população em relação aos prejuízos provocados pela pirataria, inclusive, com risco de morte em muitos casos (como no caso de remédios falsificados, como o celobar).