As ambições de
revanche sobre o centro-direita, que alguém imaginava poderiam ocorrer com essas
eleições, afundaram no mar de Sardenha. O resultado premia o candidato de
centro-direita, Cappellacci, com 51,9% dos votos, enquanto o adversário, o
poderoso patrão de Tiscali (a maior empresa italiana no setor da informática),
recebe 42,9% das preferências. Uma diferença de 9 pontos percentuais que pesa
sobre Renato Soru, sobre Walter Veltroni e sobre o centro-esquerda da Sardenha,
que desaba até tocar 38,67%, enquanto o centro-direita está com 56,66%. O dato
final para o PD, o Partido Democrático, é muito pesado: enquanto o PDL (Povo da
Liberdade) torna-se o primeiro partido da ilha, passando 30%, o PD afunda não
chegando a 25% (um ano atrás, nas eleições políticas, tinha atingido 33%). O
novo governador, Cappellacci, declarou que a Sardenha está voltando a sorrir. As
primeiras ações serão as de resolver os problemas de trabalho, ocupação e
pobreza. Como ele se acha homem novo emprestado à política, a maioria dos
eleitores não o conheciam e, por isso, a ação de apoio do presidente Berlusconi
foi de grande ajuda. A vitória do centro-direita vai além dos confins da
Sardenha e com esta derrota Veltroni tem iniciado logo a fazer as contas: pediu
demissão! “Desejo parabenizar pelo incrível sucesso na Sardenha”, assim o
presidente da república francesa, Nicolas Sarkozy, se dirigiu ao primeiro
ministro Silvio Berlusconi, durante a conferência de imprensa, quando terminou o
encontro dos chefes da Itália e da França. “Quando se fala de você, na mídia”,
continuou Sarkozy, “se diz que você não é um profissional da política. Meno
male! (Graças a Deus), se não, o que aconteceria...!” acrescentou ironicamente
confessando que sua vitória foi seguida, na França, com “alegria e admiração”.