Sobre ética

Gilberto Ramos - economista e empresário

Desde a cassação do Senador Luiz Estevão que o Senado está às voltas com transgressões éticas dos mais variados tipos. A política é, por definição, uma atividade ética na medida em que todos os atos políticos envolvem duas ou mais pessoas. É aí que reside a diferença prática entre moral e ética. Nenhum homem vive sozinho, ele está sempre dialogando com sua consciência. Experimentem subir numa montanha e contemplar o horizonte, por mais profunda que seja sua reflexão, você estará acompanhado pela consciência. Portanto, a moral confunde-se com a autocrítica, e o julgamento de erros e acertos, só você e Deus poderão fazer. Na análise da ética, ao revés, exige-se um terceiro personagem. Daí foram criados os Conselhos e Códigos de Ética para os mais diversos setores da atividade humana. De repente a sociedade toma conhecimento de Coronéis PM "surdinhos"; de senadores que souberam - e se omitiram - da violação do painel do Senado; de juízes e ministros do STJ envolvidos na distribuição de liminares suspeitas; de políticos que gastam fortunas duvidosas para se elegerem; outros que usam a máquina pública para favorecer currais eleitorais; coligações partidárias montadas desconsiderando o interesse público e visando, tão somente, nacos de poder; altos funcionários do governo do Rio envolvidos em corrupção grossa; CPIs para apuração de possíveis irregularidades no ISS e IPTU; concessão de pensão vitalícia para filhas solteiras de militares; aposentadoria integral para funcionários públicos; contagem de tempo de serviço incluindo passagem pelo Colégio Militar e estágios para estudantes de direito em escritórios de advocacia; políticos que se elegem para o Legislativo e migram para o Executivo para alegria dos suplentes e decepção dos eleitores; cartas trocadas na surdina para repartir mandatos de senadores; emendas orçamentárias com endereço certo para agradar empreiteiras e/ou instituições de "caridade". O governo que se inicia, banhado pelo otimismo da grande maioria dos brasileiros, tem a obrigação de ceifar os privilégios que dividem este país em espertos e otários. E que isto seja feito, rapidamente, antes que as corporações se articulem e o tempo passe e a frustração tome o lugar da esperança.