Temos que correr

Gilberto Ramos

Fala-se tanto em desemprego mas ninguém se dá conta das profundas modificações que o mercado de trabalho sofreu nos anos recentes. Além da explosão demográfica brasileira dos últimos anos, acontecida mais nas classes pobres, a tecnologia se encarregou de desestruturar o restante. A automação e a robotização, apoiadas ambas na informática, chegaram para ficar. Sinal dos tempos.

O Prof. Luiz Almeida Marins Filho, antropólogo de renome internacional, vem desenvolvendo estudos voltados para o que chamou de antropologia empresarial. A verdade é que vivemos numa sociedade espantosamente dinâmica, instável e evolutiva. Adaptarmo-nos a essa realidade é questão de sobrevivência. A globalização faz com que de qualquer lugar no planeta, graças ao comércio eletrônico e às facilidades da logística e distribuição, uma empresa pode dominar mercados mundiais.

Além da globalização, há o fenômeno da vida curta dos produtos. A HP (Hewlett-Packard), por exemplo, tem lançado uma nova impressora a cada 6 meses; A General Motors lança no Brasil um novo modelo a cada 9 meses e novos biscoitos chegam ao mercado a cada 15 dias. Antes os produtos duravam anos. Hoje só existe uma certeza estável: tudo vai mudar!

O capitalismo, por ser um sistema mais ágil por não se sujeitar a tantos controles, também está mudando estruturalmente. Está acabando a figura do dono de empresa. Hoje, os donos das empresas são fundos de pensão e/ou de investimentos. Com apenas R$ 50,00 qualquer um pode entrar num fundo de investimentos que, através do Banco gestor, fará com que o aplicador se torne sócio de uma empresa qualquer. Sem donos e com mais transparência gerencial, as empresas só sobrevivem se agradarem aos analistas de investimentos e, portanto, há que ser mais eficiente e competitiva.

Nosso dinheirinho pode estar agora em Taiwan, dois minutos depois em Nova York ou, à tarde, e, São Paulo. Não há como controlar o fluxo do capital eletrônico que voa pelo mundo. Diariamente são manipulados U$ 3 trilhões. É o capital nômade. Essa transmissão de dados é tão fantástica que basta dizer que 300 anos de jornais podem ser transmitidos em 1 segundo (1 trilhão de bits/seg). Aliás, a busca pelo mundo computacional é tão intensa que, desde 1995, vende-se mais computadores do que televisões.

O laboratório do MIT já conseguiu acumular 16 horas de áudio num CD do tamanho dum biscoito. Eles calculam que, dentro de 10 anos, estarão obtendo 5.000 horas de música num único CD, inclusive com os gestos do pianista gravados separadamente.

O mundo está com pressa. A Internet tem hoje 150 milhões de usuários e terá 1 bilhão em 2002; desde 1995 se envia mais e-mails do que cartas via Correios; hoje adquirirão um celular; 900 milhões de mensagens serão deixados nos correios de voz; 148 milhões de pessoas acessarão a Internet; 5 milhões de e-mails serão transmitidos enquanto você lê este artigo; em 2001 mais de U$ 650 bilhões serão negociados via e-commerce, aproximadamente 5% do comércio mundial.

Segundo todos os prognósticos dos bancos internacionais, o Brasil será o grande "palco" da competição internacional nos próximos 10 anos. Essa é a razão pela qual as multinacionais de todo o mundo estão vindo para cá de uma forma nunca vista antes. Temos que aproveitar a chance.